quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mundinho

(Eliott Erwitt - Mundo Cão)

Na TV
os garotos viciados,
os assaltos,
os que estão ou não a serviço
dos poderosos,
do povo,
dos próprios interesses...
Assim não posso dormir!
Como posso descansar num mundo exaurido
no qual não há a possibilidade de escolhas reais
onde preces e orações são inúteis?
Tudo que se tem são os ruídos
desses dias horríveis...
Não há sequer silêncio
apenas mediocridade,
crianças conturbadas,
lares alheios e alienados,
o que resta são abusos e carências.
Nada há de útil e fraterno,
resta o instinto dessa nossa “natureza” rude e egoísta,
pessoas e lugares divinamente monstruosos,
triangularmente amorosos,
repletos de vaguidades...
Patético enfim!
Neles, nesses mundinhos, miseráveis que inventamos pra nós
a verdade, a renúncia, o sacrifício não honram ninguém
e os bons samaritanos são a maldade em si...
Nesses mundinhos,
não existem espaços para “pequenos delitos” ou "modestas maldadezinhas",
não há a possibilidade de caminhar sozinha pelas ruas a noite,
de ser pequeno em meio a perigos imensos,
de ser simples sem ser humilhhado.
São tantos os barulhos,
tudo nos chega com enorme estardalhaço
e tudo sai de nós assim...
As casas onde habitam os perigosos,
silenciosas,
não são velhas e inseguras,
não estão nos morros das metrópolis,
são robustas e os seus habitantes estão prontos para o ataque
para nos por no “nosso lugar”
O triste...
A tristeza é que aceitamos,
não é o fim?

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