sábado, 28 de fevereiro de 2015

(De)Canto

Não faça desses olhos intensos 

Um orvalho morno de tédio

Não os torne suspeitos

(In)Contidos
Sofridos 
Envelhecidos
(Des)encontrados
(Des)encantados
Por um instante 
Perdidos de vez
Não os feche
Como as portas cerradas do paraíso
Não os fira
Com as urtigas plantadas nos portões... 
Desse seu céu
Os meus olhos 
(Des)Prevenidos 
Para o caos do seu mundo
Não estão prontos... 
Para ver brotar seus tantos seres
(Des)Acordados... 
Na calçada áspera e fria da sua realidade
Dos seus (Des)amores
(In)compreensíveis
Com hábitos pouco aceitáveis
Nada sensatos...
Pressentindo
E ressentidos
(D)Essa tempestade
Que os cegaram e os deixaram
Afetados
Pelos cantos
Com seus (des)encantos
Que não couberam em ti...
Que se derramaram 
Sobre e sob mim
Sem sextos sentidos
Sem se fazer
(Se fizeram) 
(Sen)Tidos
Dizem que te guardou...
Os teus
Dizem o que não preciso ouvir
O que só é preciso saber
E sentir
Do que se passa em ti
Do seu gostar do fim
E da minha véspera 
Permanecer 
Num (de)canto seu qualquer

Um comentário:

  1. "Não os feche
    Como as portas cerradas do paraíso
    Não os fira
    Com as urtigas plantadas nos portões...
    Desse seu céu"

    A poesia sempre nos encontra, em algum ponto dela... Por isso que eu amo tanto!

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