domingo, 16 de abril de 2017

Bom Pascoar

Resultado de imagem para pascoa para picasso
(Pablo Picasso - La Soupe - 1903)

"Dia"... Não apenas o simbólico...
Para iniciativas
Para transformações
Para a busca de um caminho, um lugar que seja seu...
Mas, no qual caiba os outros

Tempo de festejar a vida
Seja ela qual e como for
Tenha ou não tenha o que você quer
Que não ter também nos ensina a ir a luta e a abdicar
Às vezes é preciso ceder, abrir mão, perder... Outras agarrar com unhas e dentes!

Momento de procura
De termo e recomeço
De tirar-se do conforto
De por-se a caminho por si mesmo, pelos outros...

Instante de silenciar a dor
E salientar o amor
O amor fraterno e em todos os outros sentidos
Hora de o fazer jorrar... De movermo-nos

Segundo do inesperado
Do êxito
Da ação
Dos amigos se mostrarem amigos...

Data para levantar os caídos
Para erguer as mãos para essa natureza que nos cria como mãe amorosa
A qual, sem piedade, destruímos...

Ocasião
De germinar de novo
De emendar-se
E tornar ao estado de graça
Arrancar as dores
Os espinhos
Enfeitar-se com flores
E alimentar-se dos 'doces' amargos desta, talvez única, vida.


Que todos possam experimentar a alegria da páscoa cotidianamente!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Entre Sonhos e Pesadelos - Eu Não Sei Mais Falar de Amor


Imagem relacionada
(Pablo Picasso - A Vida - Fase Azul - 1903)

Eu não sei mais falar de amor
A falta de prática faz perder o jeito
Quando sonho o amor é pesadelo
Quando acordo ele é ausência

Não é a falta do amor apaixonado
O que me toca é a ausência de fraternidade
A ausência do outro nas relações
É a falta do compromisso consigo mesmo
E do compromisso que devem assumir
Uns para com os outros 
Aqueles que amam

Alguns dirão "tão moral"...
Mas, não.
Não é nada moral...
O nosso desamor é completamente imoral
Amoral.

Eu sei...
Esse desânimo não contribui...
Não favorece mudanças.
No entanto
As mudanças possíveis têm se mostrado
Muito afeitas ao poço sem fundo do pior...

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Entre Sonhos e Pesadelos - (En)Sina

Imagem relacionada
(Pablo Picasso - Massacre na Coreia - 1951 - Visto em: www.pablopicasso.org)

Corpos
Não meros corpos
Novos e velhos
Jovens (des)humanos?
Grito: 
Nããão Paaai...
Mãããe... 
Perdestes vossos filhos
E esses filhos perdidos
Na terra que explode
E invade o rio
Derramando suas águas
Mistura-se a elas
Ambos se transformam
Rio e terra transtornados
Areiam comovidos
Engolem as crianças
Que brincam em suas margens
Ninguém lhes escapa
Nem os que correm ou saltam 
Em seu leito de morte
A terra aguada
(En)Sina
Suspira dores
Vomita os mortos
Sofre horrores
Mas
Engole os vivos

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Entre Sonhos e Pesadelos - A Mudança das Cores

  Resultado de imagem para pablo picasso paisagem
(Pablo Picasso - Paisaje de Horta del Ebro - 1909)

A vida era uma fazenda
Com tudo o que uma fazenda tem
Muitos verdes
Muitos marrons 
Infinitas transparências
Estradas 
Que aos olhos parecem não ter fim
Cercas também
Há cercas
Mas as cercas são limites transponíveis
São fios que dizem
Aqui é o fim
E pode ser o começo se me atravessar
Há família junto
Nada nunca termina numa fazenda
Assim fazenda
vivi por muito tempo 
como se fosse eternidade...
A vida se tornou cidadela
Nas cidadelas tudo é encontro
Nada é solidão
Há amigos
Há casas onde nos sentimos abrigados
Há tantas ruas
Ruas para nos perdermos 
E para nos acharmos
Ruas onde encontramos os outros
Mas os outros são como nós mesmos
Lugar de companhia
Nunca estamos sozinhos numa cidadela
Há mais risos que dores
Há outras cores
Não tantas quanto se imagina enquanto estamos na fazenda
Apenas mais...
Com a busca pelas cores que se imaginou
A vida se torna capital
Nela há mais riscos
E os riscos são mais atraentes
Há mais traços
Traços alheios
Só se vê restos na vida capital
Coisas deixando de ser
Perdendo cor
Há mais violência
Ela é comum a todos
A violência é maior e pior
Porque já experimentada
Tão experimentada que se torna insossa
Passa despercebida
Nesse lugar da vida há muitas pessoas
Pessoas indo e vindo o tempo todo
São presenças fantasmas
E fantasmas do que foram
Ou desejaram ser
Há companhia permanente
E solidão na capital
Tanta solidão
Todos estão sós
Cercados de fantasmas 
As vezes eles são lembranças
Lembranças da fazenda e da cidadela
A capital é lugar esvaziado
De tudo o que nela habita
Nada lhe pertence
O tempo dos seus é passado
E nela não há futuro
Não lhe sobra nada do desejo me levou a ela
Depois de conhecer a que é a vida capital
Não se quer mais voltar
Não se crê mais na volta
Ou numa saída
Noutros caminhos
Todo lugar é lugar nenhum
Nem o que se foi
Nem o que permanece
Tudo parece tão finito
E insignificante
Aqui...
Há espaço de fuga
Mas não se quer nem mesmo fugir
Os caminhos são abertos na vida capital
Mas não são atraentes
São cinzas
Aqui tudo é cimento e pó
O lugar é uma boca escancarada 
Sem dentes
Te engolindo
Engolindo o arco-iris
Voamos loucos para dentro dela
E dentro dela quase tudo é dominado pela penumbra
E essa penumbra se fecha sobre nós
Enquanto ela nos regurgita
As vezes
Muito raramente
Ela se abre
Para bocejar
Nos é dado ver então
Lá fora
O amarelo vestindo salmão 
O negro escapando ao branco
O vermelho vivo e não derramado
E o tão raro azul vestindo púrpura
O púrpura que se tornou quase impossível
Nesse lugar do tempo

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Entre Sonhos e Pesadelos - O Mar

Resultado de imagem para pablo picasso o mar
(Pablo Picasso - Bathers With a Toy Boat - 1937)

A viagem fora numa nau gigante
Que levava outras naus 
Pequenas e frágeis
Ineptas à fúria do mar
Cujas ondas rebentavam soberanamente
A minha embarcação 
Navegou o mar
Dentro daquela nau
Até alcançar uma ilha
Na ilha
A orla litorânea elevada e talhada a pique
Abrigava uma morada 
Seminunda
Foi lá que desembarquei
Num caminho de pedras
Com areia branca
E muita rebentação
Entrei casa adentro
A escadaria levava para baixo
A água
Salgada
A meio caminho
Lá estava ele
Esperando por mim
Convidando-me
A continuar
Caminhou de fasto
Magnifico
Com toda a pompa
Para dentro daquele mar
Que invadia
Um lugar não seu
Manteve o olhar fixo em mim
Estendendo-me as mão direita
Vi seu corpo ser tomado 
Encoberto pela transparência aquosa
Os degraus abismados pareciam não ter fim
Mas eram o fim 



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Entre Sonhos e Pesadelos - A Morte

Resultado de imagem para pablo picasso fase negra
(Pablo Picasso - Still - Le Pichet Noir et la Têde Mort - )

Após passar pelos caminhos
Da escuridão que fratura o obscuro
E da plena luz que cega
Cheguei 
Ao que pra muitos é o paraíso
Um lugar bonito
Colorido
E as cores
Que cores
Árvores novas
Tão antigas
Flores nada convencionais
As folhas
Camas para universos inteiros
E as cores
Aquele rosa que decora quartos infantis
Aquele verde que só vemos na primavera
O chão como um tapete 
Limpo e aveludado
Os moradores daquele lugar
Poucos
Não me esperavam
Tentaram me agradar
Por alguma razão
O que não entendi de pronto
A mulher
De meia idade
Bonita e ignorante
Quase superficial
Tentava me conduzir
Naquele espaço de beleza impar
A casa parecia vazia
Ela era o mundo
Um mundo
Não tinha móveis
Não tinha amor
Mas o jardim
No jardim
Tudo era lindo
Enorme
Vasto
Imprevisível
Reino de uma brisa suave e permanente
De um sol que aquecia sem queimar
Os galhos daquelas árvores vivas me apanharam
Eu
Uma mancha negra
Naquele arco-íris
De súbito
Livraram-me das garras da mulher vazia
Na qual habitava apenas uma semente
Prestes a morrer
Que a movia
E lhe dava
Realmente
Vida
Havia também um homem
Ele era silencioso
Quase triste
Mas estava lá
Guardava a semente
Que mantinha a mulher viva
A alimentava
A desviava de mim
Enquanto a mulher me desviava dele
Mas a semente era a minha busca
Inconscientemente
Eu a queria
O jardim apreciava a semente
Ela o mantinha 
Leve
Limpo
Lindo
Não tinha ele a intenção de entrega-la a mim
Distraia-me com suas cores e movimentos
Com seus aconchegos mirabolantes
Mas a semente não fugira
Ela não temia nada
Sabia que seu destino era certo
Eu não havia compreendido
Por que motivo estava ali
Sentia-me bem naquele lugar
Era onde eu deveria estar
Tive vontade de permancer
Pensei comigo
É estranho
É bom
Muito bom
É um sonho
E uma voz me disse
Não é um sonho
Você e esse lugar existem
Estão aqui
São
Eu perguntei àquela voz 
Que parecia vir daquele céu azul
repleto de núvens
O que eles temem?
Tudo parece perfeito
Aqui há felicidade
Então do que eles têm medo?
A voz me respondeu
De ti
Da morte
Questionei
Por que de mim?
Que tolice
Tudo aqui é vida
A voz
Você não
Eu não o quê?
Não sou viva?
A voz
Não
Você é a semente
E a semente é a morte

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Entre Sonhos e Pesadelos - Briga Entre Gigantes

Resultado de imagem para pablo picasso briga de gigantes
(Pablo Picasso - Guernica - 1937)

Eu assisto a luta entre os gigantes
Eles são meninas mimadas
A disputar o doce amargo da vida
Dos pobres
Pequenos
Em sua briga 
Para se manter na disputa
Pisam em todos
Esmaga-lhes a vontade
A esperança
A fé
Esmaga-lhes o ser 
A confiança
E os larga a desbotar no sol
Quanto mais cor ganhamos
Mais perdemos
Ter cor
Equivale a não ter direito
Os cara-pálidas
Não suportam o nosso sangue vermelho
A nossa face negra
A nossa pele vermelho-negra
Apavora-os
Então nos põe em discórdia
Pelo prato com pão
Por um pouco de educação
Alienam a informação
Divide-nos e vencem 
Só mais uma batalha
Essa sua estúpida guerra
Nós sustentamos
Com o nosso mal hábito de correntes
Com nossa preguiça de pensamento
Com a nossa falta de história
Com a ignorância da qual nos orgulhamos
Com o medo e a covardia
Que tem sido nosso único cotidiano alimento
Até quando?

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Entre Sonhos e Pesadelos - O Mundo Está Cheio de Monstros

Resultado de imagem para pablo picasso sinal fechado deserto
(Pablo Picasso - O Gato - 1939)

O mundo fora tomado
Por monstros 
Que comem criancinhas
Que as violam
Que as violentam de todas as formas
Nós somos as crianças da vez
Esses monstros crescem
Se reproduzem
E ampliam suas opções de vítimas
É tão miserável ser a vítima
Só não mais que ser o monstro
O mundo lhes pertence agora
São em maior número
Seu mal é contagioso
Se multiplicam como praga
Alguns poucos
Resistem
Insistem
Mas eles venceram
Por enquanto
O mundo está deserto de humanidade
Vivem apenas os monstros
"O Sinal Está Fechado Pra Nós"

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Entre Sonhos e Pesadelos - Ele Caminha ao Som de Violinos

Resultado de imagem para pablo picasso fase violino
(O Violino - Pablo Picasso - 1913)

Seu traje em tons pasteis
O caminhar lento
Distraído
Quase feliz
A barba alinhada
Perfumada suavemente
E sempre macia
Um convite aconchegante ao toque
Nas mãos trazia algo
Não me lembro
Minha atenção sempre esteve voltada para o seu rosto
Para o seu jeito de olhar
Para as suas delicadas e discretas expressões
Em contraste com a maneira áspera
Muitas vezes, rude
Em relação aos outros
Embora sempre polido e respeitoso
Aquela vista
Fazia-me sentir e desejar 
Todas as possibilidades de uma vida
Alegre e Feliz
No caminho
Não sei o porquê
Ele me olhou nos olhos
E parece ter visto em mim o que nele me era evidente
Ambos já sofremos muito
Temos alguns medos agora
Vendo-o vir de encontro a mim
Com aquele sorriso tão meu
Quase esqueço o que já não-vivi
Ele me estende a sua mão
Segura-me no pulso
Que acelera 
Olha-me nos olhos
E pergunta
O que faremos dos outros?
Soprava uma brisa suave e definitiva
Como o som do violino
O sol iluminava tudo
Com sua amarelada luz de primavera
E permanecemos assim
Olhando-nos
Dados ao desejo e ao medo

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Entre Sonhos e Pesadelos - Uvas

Resultado de imagem para descascar uva
(Autoria da imagem não identificada - Vista em: www.tudosobreplantas.wordpress.com)

O bebê nasceu
E ambos choramos
Enquanto eu
Descascava uvas

domingo, 18 de setembro de 2016

Entre Sonhos e Pesadelos - Ela

Resultado de imagem para pablo picasso woman seated
(Pablo Picasso - Mulher Sentada - 1949)

Eu a segurei
O rosto era familiar
Ela desfalecida
Um tanto sedada
Sentada, quase, a cair 
Numa poltrona qualquer
Em sua face
Marcas de uma mão agressiva
Seu sangue retesado
Ainda corria
Os sinais da vida
Nas veias estavam violeta
Eu a ergui
Tentei desperta-la
Sua cabeça tombava em minhas mãos
A respiração sutil, no fim
O cabelo preso
Em um coque baixo
Preto
Destacando sua pele branca
Translúcida
Seu corpo era pequeno
E frágil
Sua alma o abandonava
Então me desesperei
E sofri
Pelo que não sabia

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Compartilhem... Divulguem... Participem da Luta Pela Democracia Contra o Golpe

#OBrasilContraOGolpe 
#VaiTerLuta 
#ParaTudoBrasilContraOGolpe

Compartilhem... Divulguem... Participem da luta pela Democracia e pela soberania da vontade Popular! 
#NãoVaiTerGolpe 
#VaiTerLuta

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A Poesia dos Outros

Amar
(Poeta: Carlos Drummond de Andrade - Leitura: Marília Pêra - Produção: Instituto Moreira Salles)

sábado, 9 de janeiro de 2016

A Poesia dos Outros

Resíduo
(Poeta: Carlos Drummond de Andrade - Leitura: Antônio Cícero - Produção: Instituto Moreira Salles)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A Poesia dos Outros

Necrológio dos Desiludidos do Amor
(Poeta: Carlos Drummond de Andrade - Leitura: Fernanda Torres - Produção: Instituto Moreira Salles)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A Poesia dos Outros

O Amor Bate na Aorta
 
(Poeta: Carlos Drummond de Andrade - Interpretação: Drica Moraes - Produção: Instituto Moreira Salles)


domingo, 9 de agosto de 2015

Lacuna Incurável

Seria hoje seu dia...
Se você existisse além das nossas lembranças
Se você fosse bom
Forte... Invencível
Enfim perfeito
Tanto quanto nossa inocência infantil confiava ser
Não pôde nos ensinar mais que algumas letras
Por isso nossa versão do mundo e das pessoas
Nossas histórias
Sofrem de lacuna incurável
Pouco permaneceu conosco
Não foi o porta-voz de D’us junto a nós
Faltou tempo para que fosse nosso exemplo de homem
Talvez eu deva à tua falta o meu dedo podre
Não permitiram que fosse o conselheiro...
Ao qual recorreríamos nos momentos de dúvida
O protetor nas horas de desespero
Não estava presente para nos orientar
Nas decisões importantes
Nas escolhas difíceis
Tampouco para nos encorajar nos momentos de medo
Porém tua ausência incentivou a covardia de muitos
Contra nós... Que te perdemos...
Não se fingiu de morto
Tua vida foi arrancada
Por dinheiro... Sem punição
Mas nunca nos ausentamos de ti
Apesar de não ter ressuscitado ao terceiro dia
Sempre lhe teremos amor
Mesmo você não sendo um filho santo
Nem tendo podido escapar da morte e seu encanto
Pai

domingo, 26 de abril de 2015

domingo, 19 de abril de 2015

Em Pe(d)aço(s) - O Espelho

(Lilibeth Cuenca Rasmusse - Exposição: Espelhos Móveis - 2009 - Michael Schultz Gallery Bijing)

Contenho-me...
Mas não tenho ânimo
Caminho a passos curtos
Obstinada talvez...
Com olhar perdido
Mais partida que um reflexo em vido quebrado
Como este a minha frente...
Os meus gestos são meras previsões
Embaciada e sem viço
Uma imagem vacilante
Já não sinto o deslizar
O roçar do tempo em mim
Mas os assovios ainda me emocionam
Ainda me fazem doirar por dentro
E ressentir uma alegria que já é morta
A imagem refletida
Nestes pedaços ao largo
Acompanhada de uma nesga de céu azul
Que me mobiliza a olhar
E a perceber todo o passado dentro
É um reflexo
Um engodo
Como nós...
Vimo-nos com olhos vazados
Deixamo-nos sempre pelo se...
Reconstituo na mente
Emoções inventadas
Considerando-as inventadas
As quais ainda recorro para me (re)conhecer
Vez por outra esbarro numa imagem real monstruosa
Só às vezes ela aparece...
Confundo-me entre percepção e a ilusão
Olho-me e o que vejo
Não sei se sou eu
Não me recordo de mim
Então me invento
E reinvento...
Para essas imagens
Minha
E suas, às vezes
Que se me impõem
Dia-a-dia...
Restam-me palavras
Para descrever meu horror
Diante dos nossos eu’s refletidos
Tão outros...
Tão insensíveis...
Sou refém dessas imagens que me cercam
Que não se revelam
Que não sou eu...
Que não é você...
Não nos leio mais nesses reflexos
Mas, ainda me perturbam
Revejo meu cenário nessas faces horrendas
Voltadas contra nós...
Contra mim...
Congeladas e transformadas
Pelo tempo que não nos toca a tempos
Nesse espelho em pedaços
Tudo nelas é tão pueril
Nelas não sinto as minhas ou as suas dimensões
Este espelho em pedaços me revela
Umas figuras superficiais...
Nada encantadoras...
E parciais demais para a minha suposta ousadia...
Nelas o meu eu eliminado
Transformado
Em cacos
Mas ainda me pergunto...
Vencido?