terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Suspiros e Mãos

(Visto em: http://pelos-caminhos-de-deus.blogspot.com.br/2014/11/quando-um-filho-segura-na-mao-de-sua.html)

Gosto dos farrapos que precisam ser apanhados do chão
Já encontrei farrapos suntuosos
Mas estavam sujos de (quase) tu(do)
Gosto do que a terra agarra
Só para cair nos braços dela mais adiante
Aproximo-me de papeis velhos
Afundados na lama de chuvências antigas
Termino com as mãos vazias
Sobram objetos úteis e nada mais
Que me causam náuseas
Dos pés a cabeça
Deslizo
Tudo em mim...
Terra...
Te confronta
Incluindo
Suspiros
E mãos

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A Letra


A tua letra acorda o mundo
Que dorme
E tu observas enquanto nos contorcemos sem cessar
Esta Terra
Sugando a chuva
Que de escassa parece odiá-la
Às vezes
Inunda-a
A mãe que prepara o alimento
Para filhos desnaturalizados
(Trans)Pirando do sol
Irmão que vigia a noite
O tempo todo 
Para Ele
Que é sinal
De que tudo continua
Igual?

sábado, 20 de dezembro de 2014

D(e)vaga(r)

(Edvard Munch - O Grito - 1893 - Óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão - National Museum of Art - Oslo)

Entre nós
Toque
Sonho
Transpiração
Nãos...
E nada a dizer
Apenas o sentir
Sinta
Sinto
Sente
O turbilhão
O Grito
A explodir
O gozo
Dessa perfeição
Do tumulto dentro
Dos movimentos
A luz
No corpo
A sombra
No peito
A dor
Na arma
A cura
Nos sins
Guardada no quiçá
Dancemos loucos
Nessa baila de emoções
De ilusões
De ritmos
Desconexos
Caiamos
Sós
Nos nós
Desse entrelaçar de corpos
(Sus)Penso(s)
Em suspiros
O mundo girado
Dizem
E nós
Em nó
Neste chão
Neste vão
Nestes nãos
Nestes sins
Movidos
Desses de(sen)cantos

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Os Que Não Sabem Voar

(Prêmio Deutsch de la Meurthe - Dirigível nº 6 contorna a Torre Eiffel - Santos Dumont - 1901 - 1º vôo dirigido da história)

Presos ao chão
Aferrados por suas consciências materiais
Iludem-se que o principio do voar está nas asas
E nos motores
No entanto a propulsão é a imaginação
Perguntem a Dumont!
Ele dirá que balões, aviões...
Não são instrumentos de vôo
Mas conseqüências de...
De céu só sei o que a natureza me dá
Não do que a ela imponho
Por isso canto contos que me fazem voar

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

In(con)clusos


(As Asas - Gravura em metal - Glaé Macalós - Água Forte/Água Tinta, 34x50cm, 1998/99)

Ultimamente
TenhoDuvidado
Inclusive
DaHumanidadeDosSeres

sábado, 22 de novembro de 2014

Isolamento

(Visto em: http://meioambientetecnico.blogspot.com.br/2011/10/baratas.html - 22/11/14, 15:27h - Sem autoria)

Acabo de saber
Que a solução é isolar as baratas

sábado, 15 de novembro de 2014

Velhas Correntes

(Harry Houdini - Mestre da Mágica - 1919)
Mantenho-as rente
Prendem-me
Como uma velha senhora
Impedem-me atravessar o pátio
Atualmente elas têm algo de seco e mal
Fazem-me parecer uma dessas estátuas derrotadas
Pela lepra do tempo
Cuja força está inerte
Nem viva
Nem morta
Desviada do momento original
Presa de inúmeros volumes
Pior que a poeira de um livro velho
Que alguém
Sem querer
Respira

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Mãos

(La Cueva de las Manos - Vale do Rio - Província de Santa Cruz - Patagônia Argentina - Pinturas rupestres realizadas por indígenas, provavelmente antepassados dos Tehuelche, há 9 mil anos)

Mãos que solapam o calor
Sem o retribuir
Ou o direito alheio
Deveriam ser cortadas

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Almoço de Domingo

(Francisco de Goya - Dois Velhos Comendo Sopa - 1822)

Não sou só uma pretensão
Estou predisposta ao (re)novo
A desobedecer receitas prontas
A não acontecer
Como almoço de domingo

domingo, 9 de novembro de 2014

Contínua


(Sebastião Salgado - Outras Américas: Músico - México/1980)

Cumpri a regra
Trabalhei...
Organizei...
Tudo limpo e terminado
Mais ou menos normal
Mais ou menos positivo e dentado
Os meus olhos
Nos teus
Não...
Mas,
 Como o das gentes em volta
Continuam avermelhados

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Subsumida

(A Persistência da Memória - 1931 - Salvador Dali)
A distância
Levou a juventude
Findou namoros
Amores
Rapazes
Mas guardou tudo em mim
A vida restada
Quase convencional
Para sempre
Desmoronando
O errado e o certo dentro
Como pura desconstrução
E incompreensão das crises
Mas alguns olhos ainda me vem ver
As vezes furiosos
Outras amáveis
Alguns profundos
E aqueles tão rasos
Novatos em sacrifícios
Predispõem-me a por a vista deles
Pestanejando
Sedutores e seduzidos
Entre sins
Nãos
Despedidas
E Retornos

domingo, 2 de novembro de 2014

Quer gostem ou não

(Allan S. Ribeiro - Ensaio sobre os conflitos em junho/2014 - https://www.facebook.com/allans.ribeiro.fotografia)

Nada é como o passado imaginou...
Nem os religiosos,
que em sua maioria,
exatamente como antes,
não acreditam em Deus.
Será que foi a alguém assim, incrédulo, que o “Senhor” incumbiu
de despertar o dom da fé?
O nosso mundo é uma feira,
que só tem a venda mentiras,
enganos e alienações.
Este é o futuro do passado!
Triste, não?
Aquele tão esperado
não se deu, 
o que era, mas não foi
por termos tido a sorte ou o revés
de nascer em famílias muito pobres e sobreviver,
ou em ninhos muito ricos e não morrer.
A "razão" é um mistério...
Nestes mundinhos existem muitas formas
de vida e morte.
Mesmo sem ter comida e educação
mesmo tendo sido entregue a todos os descuidos
à inóspita ambição humana, repleta de dogmas moralistas e burocracias,
de leis gerais que não se cumprem,
de receitas perfeitas que após o cadinho se revelam fracassos incontestáveis
sobrevivemos a este mundinho condenado ao pecado da ignorância cega
com cara e publicidade de sabedoria
no qual a maldade nua e crua é mascarada e transformada em salvação.
Lugar sem nenhum bom exemplo de misericórdia.
No qual mundinhos particulares se sustentam com a miséria alheia,
que se mantêm impondo sua própria cruz aos outros,
que exerce o controle através da violência e do medo.
Aqui a liberdade não é o objeto de culto do povo
e muito menos de seus condutores,
a não ser a própria, claro!
Na lei máxima e em seu culto idólatra,
se revela a insensatez de quem governa, sim...
Mas, mais terrivelmente a dos governados
que chamados a sua desumanidade respondem avidamente
estúpidos, que são, seguidores de ladrões, assassinos e moralistas hipócritas
fieis cães de guarda da miséria, do racismo, dos preconceitos de classe
de gênero entre tantos outros
Felizes alienados que se arrogam superiores em decisão.
Falsos rebeldes,
obedientes na manutenção da pobreza alheia,
da concentração de renda
Senhores da hipocrisia
Devoradores de carne e osso.
Velhos reacionários, nazistas e fascistas ranzinzas,
gente grosseira que trata a todos com crueldade
e só conseguem ver o próprio umbigo,
tudo em defesa da sovina, para não distribuir “os alimentos” com igualdade.
Eu digo não aos reacionários,
a esses “revolucionários da vez”.
Tenho escolha e a faço.
Quer gostem ou não!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mundinho

(Eliott Erwitt - Mundo Cão)

Na TV
os garotos viciados,
os assaltos,
os que estão ou não a serviço
dos poderosos,
do povo,
dos próprios interesses...
Assim não posso dormir!
Como posso descansar num mundo exaurido
no qual não há a possibilidade de escolhas reais
onde preces e orações são inúteis?
Tudo que se tem são os ruídos
desses dias horríveis...
Não há sequer silêncio
apenas mediocridade,
crianças conturbadas,
lares alheios e alienados,
o que resta são abusos e carências.
Nada há de útil e fraterno,
resta o instinto dessa nossa “natureza” rude e egoísta,
pessoas e lugares divinamente monstruosos,
triangularmente amorosos,
repletos de vaguidades...
Patético enfim!
Neles, nesses mundinhos, miseráveis que inventamos pra nós
a verdade, a renúncia, o sacrifício não honram ninguém
e os bons samaritanos são a maldade em si...
Nesses mundinhos,
não existem espaços para “pequenos delitos” ou "modestas maldadezinhas",
não há a possibilidade de caminhar sozinha pelas ruas a noite,
de ser pequeno em meio a perigos imensos,
de ser simples sem ser humilhhado.
São tantos os barulhos,
tudo nos chega com enorme estardalhaço
e tudo sai de nós assim...
As casas onde habitam os perigosos,
silenciosas,
não são velhas e inseguras,
não estão nos morros das metrópolis,
são robustas e os seus habitantes estão prontos para o ataque
para nos por no “nosso lugar”
O triste...
A tristeza é que aceitamos,
não é o fim?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Outros, nós

Uma das fotos qeu será exibida na exposição - Foto:Divulgação
(Galeria Canvas - Exposição: Núcleo Contemporâneo de Fotografia)

"Tempo demais só"
Palavras dela
Da qual parti
Alguém além
Ainda vestígio
E um segredo a espera
Até que volte
Até que viva
Até que a terrível insônia passe
Que eu possa sonhar
E você venha
 Furiosa
Amável
Pra ficar
Conhecer além das palavras incendiadas
Um pouco do que sou
Olhos, outros, profundamante, meus
Dispostos a se por em nós enfim



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Religioso


Era o imaginado,
o religioso.
As tradições incumbidas de preservar o dom da fé
ou de inventá-lo para ordenar
as cutiladas obliquas,
dos reveses:
a falta de comida
de educação...
As crenças que, para servir aos poderosos,
em nome do poder
Serviram-se
da doutrina da ignorância.
A igreja que sustenta a cruz,
mas não a salvação,
é senhora da mentira,
do culto desorientador 
Produtora de insensatez,
de estúpidos fiéis.
Seus seguidores
são estátuas pálidas de falso temor
Cuja alvisse, endossada, fielmente por quem manda
mantém escravos,
incontidos e rebeldes, mas escravos.
É uma ilusão que nunca determina a cura,
tampouco explica a doença.
Templo rico glorificador da pobreza.
Seus votos são de hipocrisia.
A sua incompreensão de D'us,
sempre feita de carne e o osso
de uma, ou mais, contradições inconciliáveis.
Tudo tão feliz...

domingo, 19 de outubro de 2014

Tecitura

 Divulgação
(Julia Kozerski - Ensaio Fotográfico Half - À Flor da Pele: O Outro Eu)

Na parede de sombras,
que em meu entorno se ergueu,
Se movimentam os pesadelos,
o aleatório da viagem,
o que se foi,
o que restou,
o que não será.
Se anima
o que eu ainda reconheço
das pessoas,
das histórias,
de mim mesma.
Bailam também,
como mistérios e sobras de sonhos,
nesta claridade atenuada e ilusória
a textura da sua pele,
as nuanças do seu espírito,
as transformações na minha essência e na sua aparência
as nossas tonalidades quentes e frias.
Enfim toda a nossa tecitura.

Ruídos

(Luigi Russolo, A Arte do Ruído, 1912)

Os ruídos do dia me exauriram! 
E agora os meus pensamentos ruindo me tiram o sono
Resolvi escrever sobre o que meus olhos cansados são capazes de ver
nestas longas horas. 
E falar, a partir de hoje, dos imensos perigos, 
que existem neste lugar, e, lá fora...