sábado, 22 de novembro de 2014

Isolamento

(Visto em: http://meioambientetecnico.blogspot.com.br/2011/10/baratas.html - 22/11/14, 15:27h - Sem autoria)

Acabo de saber
Que a solução é isolar as baratas

sábado, 15 de novembro de 2014

Velhas Correntes

(Harry Houdini - Mestre da Mágica - 1919)
Mantenho-as rente
Prendem-me
Como uma velha senhora
Impedem-me atravessar o pátio
Atualmente elas têm algo de seco e mal
Fazem-me parecer uma dessas estátuas derrotadas
Pela lepra do tempo
Cuja força está inerte
Nem viva
Nem morta
Desviada do momento original
Presa de inúmeros volumes
Pior que a poeira de um livro velho
Que alguém
Sem querer
Respira

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Mãos

(La Cueva de las Manos - Vale do Rio - Província de Santa Cruz - Patagônia Argentina - Pinturas rupestres realizadas por indígenas, provavelmente antepassados dos Tehuelche, há 9 mil anos)

Mãos que solapam o calor
Sem o retribuir
Ou o direito alheio
Deveriam ser cortadas

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Almoço de Domingo

(Francisco de Goya - Dois Velhos Comendo Sopa - 1822)

Não sou só uma pretensão
Estou predisposta ao (re)novo
A desobedecer receitas prontas
A não acontecer
Como almoço de domingo

domingo, 9 de novembro de 2014

Contínua


(Sebastião Salgado - Outras Américas: Músico - México/1980)

Cumpri a regra
Trabalhei...
Organizei...
Tudo limpo e terminado
Mais ou menos normal
Mais ou menos positivo e dentado
Os meus olhos
Nos teus
Não...
Mas,
 Como o das gentes em volta
Continuam avermelhados

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Subsumida

(A Persistência da Memória - 1931 - Salvador Dali)
A distância
Levou a juventude
Findou namoros
Amores
Rapazes
Mas guardou tudo em mim
A vida restada
Quase convencional
Para sempre
Desmoronando
O errado e o certo dentro
Como pura desconstrução
E incompreensão das crises
Mas alguns olhos ainda me vem ver
As vezes furiosos
Outras amáveis
Alguns profundos
E aqueles tão rasos
Novatos em sacrifícios
Predispõem-me a por a vista deles
Pestanejando
Sedutores e seduzidos
Entre sins
Nãos
Despedidas
E Retornos

domingo, 2 de novembro de 2014

Quer gostem ou não

(Allan S. Ribeiro - Ensaio sobre os conflitos em junho/2014 - https://www.facebook.com/allans.ribeiro.fotografia)

Nada é como o passado imaginou...
Nem os religiosos,
que em sua maioria,
exatamente como antes,
não acreditam em Deus.
Será que foi a alguém assim, incrédulo, que o “Senhor” incumbiu
de despertar o dom da fé?
O nosso mundo é uma feira,
que só tem a venda mentiras,
enganos e alienações.
Este é o futuro do passado!
Triste, não?
Aquele tão esperado
não se deu, 
o que era, mas não foi
por termos tido a sorte ou o revés
de nascer em famílias muito pobres e sobreviver,
ou em ninhos muito ricos e não morrer.
A "razão" é um mistério...
Nestes mundinhos existem muitas formas
de vida e morte.
Mesmo sem ter comida e educação
mesmo tendo sido entregue a todos os descuidos
à inóspita ambição humana, repleta de dogmas moralistas e burocracias,
de leis gerais que não se cumprem,
de receitas perfeitas que após o cadinho se revelam fracassos incontestáveis
sobrevivemos a este mundinho condenado ao pecado da ignorância cega
com cara e publicidade de sabedoria
no qual a maldade nua e crua é mascarada e transformada em salvação.
Lugar sem nenhum bom exemplo de misericórdia.
No qual mundinhos particulares se sustentam com a miséria alheia,
que se mantêm impondo sua própria cruz aos outros,
que exerce o controle através da violência e do medo.
Aqui a liberdade não é o objeto de culto do povo
e muito menos de seus condutores,
a não ser a própria, claro!
Na lei máxima e em seu culto idólatra,
se revela a insensatez de quem governa, sim...
Mas, mais terrivelmente a dos governados
que chamados a sua desumanidade respondem avidamente
estúpidos, que são, seguidores de ladrões, assassinos e moralistas hipócritas
fieis cães de guarda da miséria, do racismo, dos preconceitos de classe
de gênero entre tantos outros
Felizes alienados que se arrogam superiores em decisão.
Falsos rebeldes,
obedientes na manutenção da pobreza alheia,
da concentração de renda
Senhores da hipocrisia
Devoradores de carne e osso.
Velhos reacionários, nazistas e fascistas ranzinzas,
gente grosseira que trata a todos com crueldade
e só conseguem ver o próprio umbigo,
tudo em defesa da sovina, para não distribuir “os alimentos” com igualdade.
Eu digo não aos reacionários,
a esses “revolucionários da vez”.
Tenho escolha e a faço.
Quer gostem ou não!