sábado, 28 de fevereiro de 2015

(De)Canto

Não faça desses olhos intensos 

Um orvalho morno de tédio

Não os torne suspeitos

(In)Contidos
Sofridos 
Envelhecidos
(Des)encontrados
(Des)encantados
Por um instante 
Perdidos de vez
Não os feche
Como as portas cerradas do paraíso
Não os fira
Com as urtigas plantadas nos portões... 
Desse seu céu
Os meus olhos 
(Des)Prevenidos 
Para o caos do seu mundo
Não estão prontos... 
Para ver brotar seus tantos seres
(Des)Acordados... 
Na calçada áspera e fria da sua realidade
Dos seus (Des)amores
(In)compreensíveis
Com hábitos pouco aceitáveis
Nada sensatos...
Pressentindo
E ressentidos
(D)Essa tempestade
Que os cegaram e os deixaram
Afetados
Pelos cantos
Com seus (des)encantos
Que não couberam em ti...
Que se derramaram 
Sobre e sob mim
Sem sextos sentidos
Sem se fazer
(Se fizeram) 
(Sen)Tidos
Dizem que te guardou...
Os teus
Dizem o que não preciso ouvir
O que só é preciso saber
E sentir
Do que se passa em ti
Do seu gostar do fim
E da minha véspera 
Permanecer 
Num (de)canto seu qualquer

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Espaço Dentro

(Imagem vista em: converacoescomdmitri.blogspot.com)

Sem saber o que fazer
Não conseguindo aquietar
Não podendo agir...
Impossibilitada a vida
Amando apenas matéria
Nada de primas obras em verso
Nada perpétuo
Deixando cessar tu(do) em si
Não podendo olhar novamente
Sem que se liberte
Ou se aprisione de uma vez
E tudo faz crer...
Há de se libertar
Breve...
Alcançado o limite
Aquela mesma voz que edificava
Destruiu num instante
A bela imagem...
O lindo sonho
E prestes a sucumbir
Grita, clama, pede tempo...
Mas é tarde
Muito tarde...
A vida pune severamente
Por não a termos vivido
Por finda-la
 (In)compreendida
Sem preencher de nós
Seus vagos cantos
E por deixar vagar
Seus espaços dentro

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Para Salvar

(Domínio Público)

Para salvar os campos
Defensivos
Escoar as agruras
Curva de nível
Limpar as águas
Pedra pomes
Mãos para o trabalho
Corações para o amor
Mentes para a ciência
Para os problemas matemática
Solução para dissolvê-los
Teoremas para reflexão
Cérebros para processar
Olhos para ver
Cantos para bater
Luz para as cores
Linhas para as formas
Volumes para as curvas
Pretos para o branco
Junções para a ausência
Rubro negro para um time
Torcida por vitorias
Infernos para o mal
Céus para a virtude
Justiça para os culpados
Perdão para a inocência
Se é que há!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Declinados


Nós declinamos...
Órgãos laminares, verdes...
Não da fotossíntese
Mas da crônica anemia social
Derramamos sempre mais e mais...
Não há sangue que baste
Imitamos a folha num processo inverso
Cada qual em seu canto
Sujamos o aro...
Meros pedaços de papéis
Determinados
Persistentes
Resolutos...
Pura forma
Espessura e cor
Unidades que se compõem
De partes móveis e ausências...