quinta-feira, 30 de abril de 2015

Partes Mínimas XI

Você foi chuva
Banhando meu corpo
Anunciando amor
Trazendo dor
Condenou-me
E degenerou

(trinta de Abril)


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Partes Mínimas X

Espalha-se, nesse meio, dor
Estável como sangue coagulado
Deu-se o, impossível, Fim.

(Vinte e nove de Abril)


terça-feira, 28 de abril de 2015

Partes Mínimas IX

A tua rigidez de sertão
O teu fenecimento confirmou
Concentrou descaminhos
Debilidades...
A delicadeza
A tua saída seria
Mas tua força não a gerou

(Vinte e oito de Abril)




segunda-feira, 27 de abril de 2015

Partes Mínimas VIII

Há distância 
Suficiente para a indignação
Aos que ficam mais perto
Daqueles que o tempo destrona
Dúvidas e desencontros
É só o que resta
E uma(quase) infinita decepção

(Vinte e sete de Abril)

domingo, 26 de abril de 2015

"Quando"

(Skank - Samuel Rosa e Nando Reis: Sutilmente)

Partes Mínimas VII

Dor (in)finita
Morte ou vida perdida
De sangue azul encharcada
Desbotada
Volta a ser rubra
Encarnada
A cor púrpura já não o é...

(Vinte e Seis de Abril)

sábado, 25 de abril de 2015

Partes Mínimas VI

A sua figura fora desfeita
Resta uma faixa preta
Uma história de dor
Que se contada
Bem no fundo
Não nos diz mais nada

(Vinte e Cinco de Abril)

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Partes Mínimas V

Alianças amareladas
Não nos levariam a nada
Andaríamos em círculos
Desfaríamos a vida em gotas
Esgotaríamos as medidas
Com o tempo...
Com as violências sofridas...
Fossem elas quais fossem
Perderíamos não só anéis
Não só os dedos
Nesse laço do amor

(Vinte e Quatro de Abril)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Partes Mínimas IV

Válida retribuição
A desventura
A desilusão
A vida domada pela fera
Que me habita
E nos encerra

(Vinte e Três de Abril)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Partes Mínimas III

Livre da tocaia
Por mim a(r)mada
A tormenta se despede
A trilha desse deserto
Se finda no fim.

(Vinte e Dois de Abril)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Partes Mínimas II

A regra e a reza
A resistência
A roda da sereia
Se mar
For a sentença

(Vinte e Um de Abril)


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Partes Mínimas I

Que fique bem claro
Nesse universo obscuro
Que somos nós
Já não te tenho amor
Do mesmo modo
Que antes havia tido
Amado
(Vinte de Abril)


(Muito bom... O melhor "E alguns diriam: do pior". Mas, eu discordo...)

domingo, 19 de abril de 2015

Em Pe(d)aço(s) - O Espelho

(Lilibeth Cuenca Rasmusse - Exposição: Espelhos Móveis - 2009 - Michael Schultz Gallery Bijing)

Contenho-me...
Mas não tenho ânimo
Caminho a passos curtos
Obstinada talvez...
Com olhar perdido
Mais partida que um reflexo em vido quebrado
Como este a minha frente...
Os meus gestos são meras previsões
Embaciada e sem viço
Uma imagem vacilante
Já não sinto o deslizar
O roçar do tempo em mim
Mas os assovios ainda me emocionam
Ainda me fazem doirar por dentro
E ressentir uma alegria que já é morta
A imagem refletida
Nestes pedaços ao largo
Acompanhada de uma nesga de céu azul
Que me mobiliza a olhar
E a perceber todo o passado dentro
É um reflexo
Um engodo
Como nós...
Vimo-nos com olhos vazados
Deixamo-nos sempre pelo se...
Reconstituo na mente
Emoções inventadas
Considerando-as inventadas
As quais ainda recorro para me (re)conhecer
Vez por outra esbarro numa imagem real monstruosa
Só às vezes ela aparece...
Confundo-me entre percepção e a ilusão
Olho-me e o que vejo
Não sei se sou eu
Não me recordo de mim
Então me invento
E reinvento...
Para essas imagens
Minha
E suas, às vezes
Que se me impõem
Dia-a-dia...
Restam-me palavras
Para descrever meu horror
Diante dos nossos eu’s refletidos
Tão outros...
Tão insensíveis...
Sou refém dessas imagens que me cercam
Que não se revelam
Que não sou eu...
Que não é você...
Não nos leio mais nesses reflexos
Mas, ainda me perturbam
Revejo meu cenário nessas faces horrendas
Voltadas contra nós...
Contra mim...
Congeladas e transformadas
Pelo tempo que não nos toca a tempos
Nesse espelho em pedaços
Tudo nelas é tão pueril
Nelas não sinto as minhas ou as suas dimensões
Este espelho em pedaços me revela
Umas figuras superficiais...
Nada encantadoras...
E parciais demais para a minha suposta ousadia...
Nelas o meu eu eliminado
Transformado
Em cacos
Mas ainda me pergunto...
Vencido?


terça-feira, 14 de abril de 2015

Pontos Reticentes

(Imagem vista em: venusemaries.blogspot.com) 

Não quero companheiros de viagem.
Sejam eles reais, virtuais ou imaginários...
Quando posso escolher viajo sozinha.
Sigo os meus caminhos observando os que vão sós também.
Ainda que, às vezes, não saibam disso, ou não possam admiti-lo!
Não quero o convívio com seres superficiais e dissimulados.
De seres que seguem sem questionar os padrões.
Dessa gente facilmente satisfeita!
Contida em quatro cantos
Obvio, existem àqueles com os quais eu me engano!
Não me interessam covardes, hipócritas, crédulos...
A menos que sejam ímpares,
Que não sejam meras repetições de modelos gastos
As cópias não despertam nada em mim
Nem revolta, nem curiosidade, nem mesmo, desprezo...
Nada nelas merece o tempo do meu ócio.
Eu quero a companhia dos que se comprometem...
Dos que se envolvem intimamente...
Dos apavorados que enfrentam os seus medos...
De homens e mulheres honestos consigo mesmo
E com os outros...
Dos que não se vedem.
E daqueles que não querem comprar ninguém.
Principalmente, com moedas de prata.
Eu quero perto os que são capazes da lealdade canina.
Os que defendem o coletivo com a mesma ferocidade dos lobos.
Eu quero franqueza, dar e receber...
Eu quero fraqueza, que ser forte o tempo todo exaure...
Eu quero ousadia e não libertinagem.
Eu quero os que buscam a verdade.
Mas, os conscientes...
De que não somos capazes de totalidade alguma.
Quero os que querem o bem.
Porém, somente aqueles que para tanto não fazem o mal aos outros.
Eu quero os convictos, mas não os irredutíveis.
Quero os esperançosos, não os conformados.
Quero os vivos, não os que existem.
Quero os que amam, para ter a quem amar...
Não me ofereçam doutrinas, dogmas ou ilusões.
Não quero os que me impõem seus pontos de vista
Que, em mim, pontos são reticências...
Quero as experiências alheias,
Como referência, não como destino.


terça-feira, 7 de abril de 2015

S(em)ua Imagem

 
(Iemanjá - visto em: candomblebahia.wordpress.com)

Enigmática
Fascinante
Nada compreensível em matéria de humanidade
A pôr-me perplexa
Com seus traços distintos
Sensivelmente modificados pelo tempo
Restaura-se permanentemente
Não é luz
Mas exposta a ela alumio-me
Compõe o universo dos romanescos
Algumas de suas cenas
Remontam a uma construção teatral
Obra que chama a atenção
Fenômeno que regala a vista
Mas não sempre
Inteligível
Artificial e profunda
Seu prestígio incontestável
Divide-se em quatro fases
Quatro estações
Rompe com o tempo e o retoma quando quer
Não cessa de voltar
Eterna transição
Completa e dotada de sentidos
Superior
Para aqueles que estão em condição transgredinte
Aqui singular
Refugiam-se nela os sofridos
É enunciada em meus escritos lacrimosos
Mesmo D’us deve deter nela seu olhar...
Esfera Áurea (quase) terrestre
É um canto d’alma
Visto de fora
Guardado dentro
Vista
A cada olhadela
Indigna de nota
Mas tão...
Tão intimamente particular...
Fundamental...
Que não cabe em um canto qualquer
Nem mesmo neste...


quarta-feira, 1 de abril de 2015

(Re)torno

(Paul Klee - O início de um sorriso)


É seu
o absolutamente nada
em definitivo
te pertence só a mísera voz:

Das conversas 
durante jantares
onde se esboçam
futilidades
defesas e acusações
onde se coloca nos pratos
além da comida
todas as merdas produzidas no dia

A qual só expressa 
uma versão
racismos
preconceitos
temores
crenças (comem) verdades

A qual expõe injustificáveis justificativas
nada plausível
acusadora de traições
(a)cometidas de 
e somente pelos próprios "eus"
narcísica
tomada de si para si
propícia a juízos inadequados
A qual se cala
finge silêncio
Se a quer é sua
Não sendo quem sofre
se há vítima
dela é carrasca

Em busca de absolvição?
obviamente não...