domingo, 31 de maio de 2015

Partes Mínimas XLI

A tua letra acorda o mundo
Que dorme
E tu observas enquanto nos contorcemos sem cessar
Esta terra sugando a chuva
Que de escassa parece odiá-la
Às vezes a inunda
A mãe que prepara o alimento
Para filhos desnaturados
(Trans)Pirando pelo sol
Irmão que vigia a noite
O tempo todo para ti
Que é sinal de que tudo continua

Trinta e Um de Maio

sábado, 30 de maio de 2015

Partes Mínimas XL

Eu sou reticências
Mas cada ponto desse conjunto
É em mim
Totalmente
Definitivo
E não posso ser de outro modo

Trinta de Maio

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Partes Mínimas XXXIX

Esta noite foram todos dela
Que (des)escreve em sua página
Surtos de desejo de ser cortejada
Dela que depois silencia...
Esperando
Uma resposta que nunca virá
Sem grandes e efusivos gestos
Sem laureadas declarações
De amor
Dela que aprecia dúvidas...
Sobre os meus
E os seus próprios sentimentos

Vinte e Nove de Maio

quinta-feira, 28 de maio de 2015

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Partes Mínimas XXXVII

Não sou barco
Mar
Campo
Flor...
Sou tristeza
Dor
Vento levedado
Noite apavorada...
Talvez céu
Talvez escuro
Nada do que diz o poema...
Apenas sou...

Vinte e Sete de Maio

terça-feira, 26 de maio de 2015

Partes Mínimas XXXVI

Chorar faz sentido
Não há chama
Não há luar
Não há jardim
Não há entrega
É só (des)amor

Vinte e Seis de Maio

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Partes Mínimas XXXV

Conto metades
Conto laços
Conto cantos
Conto nós
Conto outra
Esta que te tornaste
E que me tornei
Conto eternidade
Passividade
Expectativa
Olhar aluador
Conto escuridão

Vinte e Cinco de Maio

domingo, 24 de maio de 2015

Partes Mínimas XXXIV

Amar é como um bicho na flor
Tem sua beleza
Embora, a princípio, possa nos assustar
Nada podemos contra...
A não ser...
Não amar
Mas, não há quem seja imune
O único antídoto
É amar demais si mesmo

Vinte e Quatro de Maio

sábado, 23 de maio de 2015

Partes Mínimas XXXIII

Essa predisposição
Ao bem de outrem
Com dedicação absoluta
E devotamento gratuito
É defensável

Vinte e Três de Maio

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Partes Mínimas XXXII

O que é amar?
Um vício?
Uma condição humana?
O nosso castigo?
Nossa única comunhão com D’us?
É o silenciar-se para ouvir o outro?
Os medíocres são capazes do amor?
Queremos mesmo ser amados?
Quanto custa ou é gratuita esta dor?

Vinte e Dois de Maio

quinta-feira, 21 de maio de 2015

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Partes Mínimas XXX

Seria ‘ele’
Tudo quanto nos contraria?
O “Não”
Que não desejamos ouvir
Ou o sim permissivo?
A violência sofrida
Ou a provocada?
As palavras pronunciadas em vão
Ou nosso silêncio sub(o)misso?
O nosso poder
Ou o que escapa ao nosso controle?

Dezenove de Maio

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Partes Mínimas XXIX

Parece impossível
Mas, é possível
Não ser presa dos teus (en)cantos
Não querer teu compromisso
Não me descomprometer comigo
Não querer o que condeno
E não me condenar por isso
Dezoito de Maio

domingo, 17 de maio de 2015

Partes Mínimas XXVIII

Minha mente insana
Minhas palavras insanas
Meus gestos (in)contidos
E insanos
Perceptíveis apenas no desespero
Do meu pulso
Dezessete de Maio

sábado, 16 de maio de 2015

Partes Mínimas XXVII

Tento imitar os modelos
É ridículo imitar modelos
Eu sei...
Mas, assim me comprometo
Apenas quando quero
Embora
Nem sempre consiga
Não me comprometer é difícil
Repetem-se por vezes
Os meus tolos comprometimentos

Dezesseis de Maio

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Partes Mínimas XXVI

Cumpro as regras
Aquelas possíveis
Não por crer
Não por entender
Que possam
Melhorar qualquer coisa
Apenas para ter o que fazer
Para ser normal
Como os outros
Quinze de Maio

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Partes Mínimas XXV

Contrariam a minha vontade
Em nome de uma vontade maior
Que nem ao menos sei de quem
Quatorze de Maio

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Partes Mínimas XXIV

Somos um
Para tantas retas
Para tantos lado-a-lado
Para tantos cantos
Para tanto saber
Somos poucos
Para tantos processos
Curvas
Entrelinhas
E somos pouco

Treze de Maio

terça-feira, 12 de maio de 2015

Partes Mínimas XXIII

Não há toque salvador
Não há sentido desejado
E mesmo o presente está distante
Nada é próximo
Nada é tão próximo
Sendo verdadeiro
Os muitos caminhos
Que queremos seguir
São contrários entre si
Nos perdemos
Tentando caminhar todos eles

Doze de Maio

segunda-feira, 11 de maio de 2015

domingo, 10 de maio de 2015

Partes Mínimas XXI

Aflitas para aflorar
Em busca de ação
Na afobação de ser coisa
De poder envaidecer-se ou a outro
Apressadamente se expandem
Sufocando para resultar
Em tudo ou nada
Aquecidas dilatam
Em seus cantos
Põem-se em fuga e estreitam-se
Abandonando sem temor
O banquete da criação

Dez de Maio

sábado, 9 de maio de 2015

Partes Mínimas XX

Cuidado
Algumas respostas simples
Alguns silêncios e gritos
Sem nenhum feixe de amor
Tem poder
Para determinar
O futuro de alguém

Nove de Maio

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Partes Mínimas XIX

A suavidade
Que não está no piano
Mas nas mãos de quem o rege
No tempo que
Fora do espaço sonoro
Não passa de medida arbitrária
E no cuidado não apenas com a harmonia
Mas com os cantos que elas tocam

Oito de Maio

quinta-feira, 7 de maio de 2015

quarta-feira, 6 de maio de 2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

Partes Mínimas XVI

Quem nesse canto é você?
O que aquecer quer?
Seu coração?
Seu ego?
Sua arte...
Seus gestos...
São carícias ou penar?
Ou (en)cantos para silenciar?

Cinco de Maio

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Partes Mínimas XV

Somos
Com nossos corpos divididos
Nossas cabeças quentes
Nossos tórax frios
E apêndices cefálicos ligados
Prontos a transmitir e captar
Os sons de nossas asas frágeis
E de nossas patas duras
Mundanos e bárbaros
Quatro de Maio

domingo, 3 de maio de 2015

Partes Mínimas XIV

Eu não quero te arrancar de mim
Não quero não te querer
Não quero não me entregar...
Estou rendida a tua meia luz...
Mas, não faço só o que desejo.

Três de Maio

sábado, 2 de maio de 2015

Partes Mínimas XIII

Quando a vida lhe sorrir
Se não sorrir de volta
Ela pode se zangar...
Dois de Maio

sexta-feira, 1 de maio de 2015